Amazônia em chamas

Aviões chilenos chegam hoje para ajudar no combate a queimadas 

Anúncio foi feito pelo ministro da Defesa, Fernando Azevedo. Ele e mais quatro ministros se reuniram em Belém com cinco governadores da Amazônia Oriental. Reunião com Amazônia Ocidental ocorre nesta terça, em Manaus.

Duas aeronaves especializadas em lançamento de águas aterrissam nesta segunda-feira (2) no Brasil e outras duas devem chegar ao longo da semana, para auxiliar no combate a foco de incêndios na Amazônia. Essa ajuda vem do Chile, que juntamente com Estados Unidos, Equador e Israel se comprometeram a auxiliar o governo brasileiro a conter o recrudescimento das queimadas em território nacional. A informação foi dada pelo ministro da Defesa, Fernando Azevedo, durante entrevista coletiva ao final do encontro dos governadores da Amazônia Oriental com cinco ministros do Governo Federal.

Fernando Azevedo também disse que Israel vai mandar uma equipe especializada no combate a incêndios florestais; o Equador também ofereceu brigadistas especializados; e os Estados Unidos tem conversado com o Brasil para definir em que pode ajudar neste esforço coletivo. O ministro lembrou ainda que já existem na Amazônia Oriental cerca de 4 mil militares das Forças Armadas envolvidos com essa missão, além de quatro aviões e quatro helicópteros militares, bem como 400 agentes civis. “É um contingente muito bom”, afirmou.

A agenda do governo federal com os governadores da Amazônia Legal, para avançar nos entendimentos iniciados na semana passada em Brasília, foi dividida em duas etapas. Da primeira, em Belém, participaram os governadores da Amazônia Oriental: Helder Barbalho (Pará), Mauro Carlesse (Tocantins), Mauro Mendes (Mato Grosso), Waldez Góes (Amapá) e Carlos Brandão (vice do Maranhão). Vieram cinco ministros, em vez dos nove cogitados: Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Ricardo Salles (Meio Ambiente), Fernando Azevedo (Defesa), Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento), Jorge Oliveira (Secretaria Geral da Presidência da República).

Segundo Ônix Lorenzoni, os governadores presentes à reunião desta segunda apresentaram suas expectativas em relação a uma cooperação entre os governos estaduais e o governo federal para enfrentar não apenas dificuldades climáticas mas também estruturais. Nesta terça (3), a equipe ministerial segue para Manaus, onde conversará com os governadores da Amazônia Ocidental (Acre, Rondônia, Roraima e Amazonas). “Na próxima semana, vamos processar todas as demandas, desde a regulamentação fundiária, passando pelo zoneamento econômico-ecológico, serviços ambientais até economia verde”, prometeu Ônix. “É uma resposta importante para o presente e para o futuro”, acrescentou.

O ministro-chefe da Casa Civil também disse que o monitoramento continuado da floresta é uma demanda importante dos estados e que já se pensa em usar a estrutura das Forças Armadas na região, como o Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), para somar às iniciativas e equipamentos já usados pelos governos locais. O Sivam, inaugurado em 2002, mas elaborado desde o final da década de 80,  foi criado para promover a vigilância do espaço aéreo e potencializar as comunicações na região amazônica, além de monitorar o desmatamento da floresta por meio de satélite de sensoriamento remoto.

O ministro Ricardo Salles se pronunciou sobre o Fundo Amazônia, pauta das reivindicações de todos os governadores, que expressaram seu desejo de continuar utilizando esses recursos. Segundo Salles, o governo brasileiro manteve contato recentemente com os principais doadores do Fundo (Alemanha e Noruega), reafirmando a disposição de aceitar essa ajuda internacional, o que é apoiado pelos governadores, dando maior eficiência, melhor estratégia e mais sinergia nas ações financiada por esses recursos.

Coube ao governador Helder Barbalho, na coletiva, sintetizar o que foi debatido na reunião de Belém. Ele disse que os governadores apresentaram aos ministros um resumo das ações necessárias tanto para o desenvolvimento sustentável dos estados, a longo prazo, como para o imediato combate às queimadas. Barbalho destacou o fortalecimento do Fundo Amazônia, a criação de polos da justiça agroambiental, a potencialização do monitoramento das regiões em tempo real e a promoção da regularização fundiária.

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